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COMEÇA A COPA DO BRASIL PARA O FORTALEZA

Advincula Nobre 10 fevereiro 2010 Coluna do Nobre, Destaque 39 views No CommentPrint This Post Print This Post Email This Post Email This Post

COMEÇA A COPA - Começa para o Fortaleza a Copa do Brasil que enfrentará o Tigres do Brasil, um clube emergente do futebol carioca, fundado em 19 de janeiro de 2004 com o nome de Esporte Clube Poland do Brasil, mudando no mesmo ano de denominação para Esporte Clube Tigres do Brasil Ltda. Trata-se de uma equipe de empresários que,  em menos de cinco anos chegou à elite do futebol carioca, tendo em vista que participa do campeonato da Primeira Divisão desde 2009, quando se classificou para a competição de 2010 em 11º lugar.

 

NA DESCENDENTE - No ano em curso a sua situação não é das melhores, vez que se encontra na  14ª posição, com 3 pontos e no limiar da zona de rebaixamento. Sobrepuja apenas o Americano, em 15º com os mesmos 3 pontos, ganhando no saldo de gols e o Duque de Caxias, em 16º, com apenas 2 pontos. O Carioca está na sétima rodada e o Tigres venceu apenas uma partida, na segunda etapa, quando bateu o Madureira por 2×1, perdendo sei partidas e se nenhum empate. Assinalou 7 gols e sofreu 16, saldo negativo de 9 gols.  Em 21 pontos disputados conquistou três, o que lhe confere um índice de eficiência de 14%.

 

TIGRES NÃO É LANTERNA - Ao contrário do que apregoam, a despeito do Tigres se encontrar em trajetória descendente, conforme demonstramos, não é o reserva da competição, primazia outorgada ao Duque de Caxias. O interessante é que o Duque de Caxias, co-irmão citadino do Tigres, visto que ambos são da cidade de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, que pertence à série B do Campeonato Brasileiro, no qual se classificou em 8º lugar, tem apenas 2 pontos no Campeonato Carioca e corre sérios risco de rebaixamento. Infere-se, portanto, em que a inconstância dos clubes do futebol brasileiro é uma realidade, até porque, os de menor porte, ou de regiões mais pobres, a exemplo do Fortaleza, ainda não conquistaram a tão sonhada autonomia financeira, de modo que o nosso futebol necessita ser repensado.

 

MERGULHAR NO CENÁRIO - Quando nos propomos a analisar futebol, além dos números a serem examinados, faz-se premente que observemos o contexto em que os clubes estão inseridos. O Fortaleza é o quarto colocado no nosso campeonato, enquanto o Tigres é o décimo quarto no Campeonato Carioca e em razão dessa conjuntura, os menos avisados poderiam concluir que o Fortaleza é o favorito absoluto para vencer o confronto. Numa análise simplória diríamos que os que assim pensam estariam acobertados de razão, contudo em se comparando os dois cenários ver-se perfeitamente que a situação é diversa, posto tratarem-se de níveis futebolísticos deferentes, cuja diferença seria da água para o vinho.

 

NÍVEIS DIFERENTES - No nosso futebol temos um clube na Série A, um na Série B, o Fortaleza na Série C e o ferroviário na D e não detemos nenhum título nacional, o máximo que chegamos foi a vice-campeonatos. Para que se tenha uma idéia da diferença de nível, enquanto nós não temos pelo menos um patrocinador de peso, o Flamengo, para citar apenas um clube, firmou uma das parcerias mais vultosas, na casa dos cinqüenta milhões de reais por ano. O Vasco, a despeito de se encontrar na Série B, no ano passado, conseguiu firmar uma parceria milionária com a Eletrobrás. Numa prova de que o lado financeiro faz a diferença acentuamos que simplesmente o Campeão da Série A, o Flamengo, e da Série B, o Vasco, pertencem ao futebol carioca que, indubitavelmente,  vai de vento em popa.

 

PARTIDA DIFÍCIL - Preparemo-nos para uma partida difícil, especialmente pelo fato de que, o nosso treinador, ainda na encontrou a nossa onzena titular, tanto é que tem alterado o time em todas as rodadas do nosso campeonato e, por medo de perder o cargo, costuma se entrincheirar até os dentes na defesa, no malfadado, intragável e indecifrável 3-6-1 e, ao que parece a formação de hoje não será uma exceção, posto que, ao que tudo indica, sacrificará o Betinho, para a entrada do Coquinho, quando teríamos uma equipe formada por 2 laterais, 3 zagueiros, 3 volantes, 1 meia e 1 atacante, decididamente uma formação de time pequeno.

 

SEM VAGA PARA COVARDIA - No meu time não haveria lugar para tanta covardia. Acho que sou da linha dos Torquato, tendo em vista que, pelo fato de pagar a conta me arvoraria do direito de me imiscuir na montagem da equipe e de dar o meu pitaco, como se diz popularmente. A minha escalação seria: Fabiano, Peter, Gaucho, Gilmak e Guto; Coquinho, Ticão, Paulo Isidoro e Alex Gaibu; Tatu e Jhones.

 

TICÃO TITULAR - Pode ser que alguém conteste a saída do Leandro, que na minha equipe seria banco, mas no meu entendimento, no que pese o jogador se classificar entre os nossos melhores volantes, é inferior o Ticão, na pegada, no senso de cobertura e no passe e só seria meu titular num sistema de três volantes. Trocaria o Betinho pelo Jhones em razão das características de cada um. O Jhones por ser um jogador de área, prenderia dois zagueiros adversários, enquanto o Betinho por ter mais aptidões de segundo atacante, traz consigo esses zagueiros. Esperamos que o Luiz Muller pense de forma semelhante e arme um time jogando para frente, para que resgatemos a tradição de clube aguerrido e valente que faz parte da história do Fortaleza.

 

OUSAR UM POUCO - Não será na retranca que o Luiz Muller manterá o cargo e quebrará o tabu de não vencermos fora há algum tempo e tudo por culpa dos retranqueiros que passaram pelo Fortaleza, no último dois anos. O que jogava para frente, o Silas, sem time e sem apoio, não suportou um turno no ano passado. Não conseguiu implantar no Fortaleza a filosofia vencedora que levou para o Avaí e o Grêmio. Ficamos nas mãos de treinadores de filosofia ultra defensiva, a exemplo do Heriberto da Cunha e do Roberto Fernandes, de quem o Muller é discípulo e seguidor fiel, dedução a que se chega pelo que tem apresentado até aqui taticamente. Pelo que se noticia não vislumbramos perspectivas de mudanças.

 

DESEMPENHO NO CAMPEONATO CEARENSE - O Fortaleza quando entrar em campo estará com 201 dias que não conquista uma vitória fora de casa e o que é pior, a sua campanha, tanto no cenário nacional, como no local é pífia. Começando de casa lembramos que na condição de visitante,  em 4 partidas no atual campeonato, empatou 2 e perdeu outras 2, uma das quais de goleada para o Crato. Nessas partidas o seu ataque assinalou apenas 2 gols e sofreu sete, apresentando um déficit de 5 gols. Em termos de desempenho, em doze pontos disputados fora do seu habitat, conquistou apenas dois, que lhe renderam um índice de eficiência de parcos 12%, muito aquém da produtividade que se espera de um time grande e que briga por um título importante. Depreende-se que algo deve ser feito.

 

DESEMPENHO FORA DE CASA – No cenário nacional, desde o dia da sua última vitória, ocorrida no dia 23 de junho de 2006, em que bateu o Ipatinga por 1×0, o seu desempenho não é muito diferente do local, posto que,  em quinze partidas conseguiu tão somente 3 empates e sofreu 12 derrotas. Assinalou 14 gols e sofreu 32, apresentando um índice negativo de 18 que corresponde a índice negativo por partida de 1,6 gols, que reputamos como anormal para um time que queira chegar a alguma conquista. Se falarmos de índice de eficiência a coisa volta a ser ainda mais feia, pois, disputou 45 pontos e conquistou apenas 3, atingindo um índice de eficiência de meros 6%. Se esses números prevalecerem temos que nos preparar para mais uma derrota, que se nos apresenta iminente.

 

TOQUE DE LETRA – Como analista estamos de orelha em pé,m tendo em vista que os números não nos favorecem. Como torcedores havemos de acreditar, até porque o Fortaleza, na sua história tem nos brindado com recuperações, por vezes inesperadas. Quem sabe se, com toda a sua precaução, não está reservada a distinção ao Luiz Muller de quebrar tabus, começando por esse e chegando ao Tetra? Se não acreditarmos nisso, em que iremos acreditar?

 

PENSAMENTO – Milagres existem, porém temos que nos fazer merecedores dos mesmos, posto que nenhum nasce do acaso.

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