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A RESSACA QUE REMÉDIO NENHUM CURA: MAIS UM ANO DE SÉRIE C

 

Amanheci o dia com ressaca. Não aquela tradicional ressaca proveniente da bebida, que pode ser aliviada com um analgésico ou um antiácido, mas uma ressaca para a qual não tem remédio e nem alívio que é a de me ver mais um ano na Série C, mas um ano sendo vítima da gozação dos torcedores do nosso rival, que apregoam aos quatro cantos que vão ser dez anos de Série C. Se não adotarmos medidas seríssimas esse vaticínio funesto, ao que tudo indica,  se confirmará.

 

A pergunta recorrente é uma só: E qual é a medida certa a ser adotada? Tínhamos um time considerado bom; a diretoria vem trabalhando para organizar o Fortaleza; a torcida vem correspondendo e boa parte da imprensa não tem atrapalhado, pelo contrário, tem ajudado. Então fica difícil responder essa pergunta, até porque a tentativa de respostas que vislumbrei na imprensa, na manhã de hoje tem sido confusas. Uns querem um time de primeira; outros que formemos uma equipe com jogadores baratos e assim temos o desencontro de opiniões.

 

Outros defendem que o Fortaleza deveria ter optado por decidir fora de casa, pois em casa não vem dando certo. Ora, amigos, esse ponto de vista não se sustenta, vez que no futebol mundial e principalmente no brasileiro, os times têm se dado bem decidindo os títulos nos seus domínios. Agora mesmo na Série C os que se classificaram para a Série B decidiram a sua sorte em casa, então essa não é a questão.

 

A questão tem apenas uma resposta: Jogar bola. Em todas as decisões em que o Fortaleza perdeu, e ontem não foi uma exceção, os times tricolores nada renderam. No jogo de ontem o Juventude mandou em todo o primeiro tempo e ainda por cima, numa falha da nossa defesa, logo no início do segundo tempo abriu o marcador. Não quero aqui crucificar a ninguém, entretanto a cabeçada do jogador do Juventude, no meu modesto entendimento, era defensável.

 

Estando eu certo, mais uma vez, perdemos uma classificação por falha de goleiro, se bem que esta pode ser dividida com a zaga, leia-se Edimar, que se limitou a ficar olhando a conclusão da jogada. Os times que se classificaram, e até mesmo os que perderam, a exemplo do Botafogo, que levou um gol aos cinquenta minutos caíram de pé, marcando e vendendo caro a derrota.

 

O Fortaleza, e isso vem desde o início do ano, marca de longe e deixa o adversário trabalhar a bola ao seu bel prazer, sob a justificativa de que é um time técnico, que joga e deixa jogar. Abomino esse time técnico, prefiro um time raçudo, mordendo a todo instante mordendo o calcanhar do adversário. Resume-se dessa forma que a Fortaleza ontem faltaram duas coisas importantes: entrar em campo, principalmente no primeiro tempo e atuar com garra, com determinação e com vontade de vencer.

 

Pode ser que eu esteja falando de um outro jogo, mas essa foi a partida que vi, até porque o gol de empate, não saiu de um ataque bem articulado, mas foi fruto do mérito individual e pessoal do Pio, na cobrança de uma falta. Afora isso o Fortaleza tentou o gol, mas sem muita convicção. Não me lembro de um momento sequer que eu possa dizer que o Fortaleza abafou o adversário e que não fez gol por absoluta falta de sorte.

 

Esse domínio absoluto do Fortaleza não aconteceu, isto sem falar que já no primeiro tempo dois jogadores abusavam de quebrar a bola, o Sobralense e o Rodrigo Andrade. O treinador tirou o Sobralense, e colocou o Leandro Lima, que deu mais movimentação, mas que não é um jogador carismático, ao ponto de liderar uma reação. O Pio liderou de certa forma essa reação, mas é um jogador limitado, a quem também não pode ser dada a tarefa de fazer o Fortaleza jogar.

 

E aí pecamos, como o fizemos em todo o campeonato. Não tínhamos um camisa 10, tipo o Lúcio Flávio do ABC, o próprio Roberson do Juventude, que fizesse o time jogar. Essa foi a principal falha na formatação do time. Como o Fortaleza não é time pequeno, para o próximo ano a diretoria tem que levar em conta esses equívocos e formatar um elenco para buscar o trio cearense, o título da Copa do Nordeste e a ascensão à Série B. Tem que ousar mais um pouco.

 

Com relação ao treinador, se não foi por contusão, errou pelo menos em uma substituição, pois ao invés de tirar o Rodrigo Andrade que não jogou nada, tirou o Everton e foi ovacionado com o grito de burro. Também não ousou, seguindo os passos do Marquinhos e colocando o Juninho que nada acrescentou. Teria que ter colocado o Rafael Lucas, ou seja, mais atacantes de área, pois ao Fortaleza somente a vitória interessava.

 

Infelizmente o nosso treinador ontem foi um preposto do Marquinhos Santos e não estou aqui criticando o nosso ex-treinador, não arriscando um único fio de cabelo, que acredito o Marquinhos tivesse arriscado. Todos os empates eram favoráveis ao Juventude e ao Fortaleza somente interessava a vitória. A ocasião pedia um pouco mais de ousadia.

 

O diríeis: É muito fácil comentar sobre obra acabada, contudo é inegável que essa falta de ousadia por parte do treinador e de garra por parte do time foram determinantes para que ficássemos mais um ano na Série C e nem estou preocupado com gozações, porque essas já vêm de muito longe.

 

Por hoje c’est fini.

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POR TRÁS DO BLOG
Advíncula Nobre

Advíncula Nobre, colaborava com o site Razão Tricolor e quando esse encerrou, passei a colaborar com os Leões da Caponga, que também encerrou as atividades, quando então ainda residindo em Guarabira (PB), resolvi criar o site para publicar a Coluna do Nobre, que eu já publicava no Leões da Caponga. Isso aconteceu há cerca de 11 (onze) anos. Sou formado em História pela Universidade Estadual da Paraíba, turma de 1989 e funcionário aposentado do Banco do Brasil. Torço pelo Fortaleza Esporte Clube desde Outubro de 1960 e comecei a frequentar o Estádio Presidente Vargas, na condição de menino pobre na "hora do pobre". O estádio abria 15 minutos antes do término da partida para que os menos favorecidos tivessem acesso. Foi assim que comecei a torcer pelo Fortaleza. Morei em Guarabira (PB) por 27 anos e sempre vinha assistir a jogos do meu time. Guarabira (PB) dista 85 Km de João Pessoa capital Paraíbana e 650 km de nossa cidade Fortaleza (CE). Também morei em Patos (PB), Pau dos Ferros (RN), Nova Cruz (RN) União (PI) e Teresina (PI). Também cursei Administração de Empresas e Direito, em virtude de transferências, não terminei essas duas faculdades. Era o meu emprego e o pão de cada dia ou as faculdades.