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O SONHO DO TÍTULO NÃO SE REALIZOU, MAS CONTINUAREMOS SONHANDO, POR QUE NÃO?

23 Oct 2017

 QUIMERA - SER MITOLÓGICO GREGO - Ser tricéfalo: Cabeça de Leão, Dragão e Cabra.

 

“E o coração de quem ama fica faltando um pedaço,    que nem a lua minguando, que nem o meu nos seus braços”. Essa é a minha sensação após o término desta malfadada Série C, que espero em Deus o Fortaleza não volte nos próximos cem anos para que as próprias gerações não venham a sofrer na pele e no coração as agruras que sofremos.

 

Foi ótima a ascensão, até porque o Fortaleza e a sua torcida já haviam chegado ao limite máximo do que um ser normal e comum pode suportar. Não dava para ver e suportar com conformação e resignação esse sofrimento que nos era imposto de forma crudelíssima a cada mata-mata.

 

Não dava mais para tolerar os nossos adversários, alguns dos quais inimigos, em tom de mofa, fazendo questão de repetir, como se fora uma tortura   que nos dilacerava a alma que, “iríamos morrer na Série C”.

 

Não dava mais para aguentar a frustração de continuar na Série C, a despeito de formarmos bom times e de perdermos as rédeas e o trem da história na reta final, razão porque não havia mais como tolerar os nossos adversários afirmarem em tom insultuoso que “o Fortaleza era um cavalo paraguaio, ótimo na saída e péssimo na chegada”.

 

Conseguimos a ascensão, como se fora um milagre, isto porque esse time que, com algumas contratações de jogadores que não emplacaram sendo, praticamente o mesmo do início de um ano decepcionante e dos mais conturbados,  em que  foi desclassificado em quase tudo, em um ano que, pelo primeiro semestre,  é para ser esquecido como uma página deslustrosa da nossa história.

 

O time foi desclassificado do Estadual, da Copa do Brasil, logo na primeira partida e para um time inexpressivo no cenário esportivo nacional, o São Raimundo. Não passou de fase na Copa do Nordeste e na própria Série C, teve um início dos mais promissores, para depois cair abruptamente.

 

No início da competição perdeu a primeira para o Remo, fora de casa, para na sequência encaixar quatro bons resultados, três vitórias e um empate, a partir dos quais começou uma caminhada das mais irregulares e preocupantes, ao ponto de só se classificar e em terceiro lugar, na última partida, contra o Moto, nos minutos finais e por 1 x 0,  mercê do gol salvador do Ronny.

 

À essa altura era um time completamente desacreditado, isto porque da décima terceira rodada à decima sétima, em cinco partidas, somou apenas três pontos, apresentando um percentual de 20% de aproveitamento, desempenho de time rebaixado e na última posição. Seria inevitável que o Bonamigo caísse.

 

O Bonamigo, após uma derrota fora de casa, de 2 x 0 para o Sampaio, deixou o Fortaleza, mesmo diante do pesar da diretoria, isto porque se tratava de um grande profissional que, infelizmente, como se diz na linguagem do futebol, “não deu liga”, sendo contratado o Zago, com a árdua missão de tentar classificar o time, restando apenas três rodadas da fase classificatória.

 

Para que a missão ficasse ainda mais difícil, estreou com empate em 1 x 1 em casa com o CSA e fora de casa foi derrotado, numa das partidas mais bisonhas do time, pelo Confiança, por 2 x 0, caindo o aproveitamento da equipe para 16,6%. Na partida final da fase de classificação venceu, como dissemos, o Moto por 1 x 0, contudo, observávamos um progresso tático e técnico do time,  que só não goleou em razão da excelente partida do goleiro do adversário que, praticamente pegou tudo. Só não pegou o chute do Ronny porque foi um petardo em que a bola se chocou com a trave e ganhou o fundo das redes.

 

Veio o Tupy e pela primeira vez, ao contrário dos cinco mata-matas anteriores, teve que decidir a sua sorte fora de casa. Na primeira partida o time jogou bem, fez 2 x 0 e poderia ter feito mais se os seus atacantes, aliás, o que foi moda nesse campeonato, não tivessem desperdiçado tanto oportunidades.

 

Fora de casa o Fortaleza perdeu por 1 x 0, num jogo dramático, mas garantiu a ascensão, credenciando-se para enfrentar o Sampaio Corrêa, o time de melhor campanha até então. Venceu apenas por 1 x 0, repetindo-se o mesmo filme das partidas anteriores,  em que o nosso ataque perdeu muitas chances. Em São Luiz todos achavam que o Sampaio, que há pouco tempo havia vencido o Fortaleza, reverteria o quadro, contudo o Tricolor, heroicamente empatou em 2 x 2 e passou à final.

 

Chegamos à final e o Fortaleza, perdendo uma invencibilidade em casa pela Série C, que vinha desde 2016, sucumbiu diante do CSA, por 2 x 1, resultado que foi determinante pra a conquista do título pelo oponente. No meu ponto de vista, naquela partida o time jogou mal, isto porque, em que pese o domínio aparente das ações, apresentou deficiências em todos os seus compartimentos, mormente no ataque, em que os dois atacantes, Hiago e Leandro Cearense, tiveram péssimas atuações.

 

No jogo final, muito equilibrado não passamos de um empate de 0 x 0 com o CSA que se sagrou Campeão Brasileiro da Série C e, não obstante eu me encontrar deveras satisfeito, volto ao tópico inicial, para reafirmar que no “meu peito está faltando um pedaço”: Falta a  alegria de ser campeão.

 

E essa ponta de angústia, ou essa alegria entremeada pelas lágrimas tem razão de ser,  isto porque nos sessenta anos em que torço pelo Fortaleza, em que devoto ao nosso amado clube uma paixão por vezes incompreendida, vi-o se sagrar vice-campeão brasileiro em cinco ocasiões. Belas conquistas, sem dúvidas, mas que me privaram,  assim como os da minha geração, de um título nacional, nesses cem anos de existência tricolor.

 

Embora possamos nos embeber nessa quimera, o sonho na Série B ficou mais distante, contudo não desisto. Continuarei acalentando essa esperança, por enquanto uma quimera, palavra mitológica grega que tem tudo a ver com o leão. São sonhos alimentados desde à minha mais tenra idade e que servirão para tornar, na minha velhice,  o meu coração mais forte e mais confiante no futuro. Só não existe futuro para quem não sonha!

 

O Fortaleza em cem anos não conquistou um título nacional, mas espero em Deus que se me for dada a ventura sublime de chegar à essa idade, que eu   ainda possa ufanar-me dessa conquista, para que o meu velho coração, por fim, possa ser brindado com alegrias novas.  

 

Pensamento do Dia - Não sou o mais alegre e nem o mais triste, sou apenas alguém possuído da alegria juvenil de ainda e sempre poder sonhar!

 

Por hoje c’est fini.   

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POR TRÁS DO BLOG
Advíncula Nobre

Advíncula Nobre, colaborava com o site Razão Tricolor e quando esse encerrou, passei a colaborar com os Leões da Caponga, que também encerrou as atividades, quando então ainda residindo em Guarabira (PB), resolvi criar o site para publicar a Coluna do Nobre, que eu já publicava no Leões da Caponga. Isso aconteceu há cerca de 11 (onze) anos. Sou formado em História pela Universidade Estadual da Paraíba, turma de 1989 e funcionário aposentado do Banco do Brasil. Torço pelo Fortaleza Esporte Clube desde Outubro de 1960 e comecei a frequentar o Estádio Presidente Vargas, na condição de menino pobre na "hora do pobre". O estádio abria 15 minutos antes do término da partida para que os menos favorecidos tivessem acesso. Foi assim que comecei a torcer pelo Fortaleza. Morei em Guarabira (PB) por 27 anos e sempre vinha assistir a jogos do meu time. Guarabira (PB) dista 85 Km de João Pessoa capital Paraíbana e 650 km de nossa cidade Fortaleza (CE). Também morei em Patos (PB), Pau dos Ferros (RN), Nova Cruz (RN) União (PI) e Teresina (PI). Também cursei Administração de Empresas e Direito, em virtude de transferências, não terminei essas duas faculdades. Era o meu emprego e o pão de cada dia ou as faculdades.